quarta-feira, 11 de junho de 2014

Uma História Qualquer

Uma História Qualquer
Contam que uma vez se reuniram todos os sentimentos e qualidades dos homens em um lugar da terra...
Quando o Aborrecimento havia reclamado pela 3ª vez a Loucura, como sempre tão louca, lhes propôs
-Vamos brincar de esconde – esconde?
A Intriga levantou a sobrancelha intrigada e a Curiosidade sem poder conter – se perguntou.
-Esconde – esconde? Como é isso?
-É um jogo, explicou a Loucura, em que eu fecho os olhos e começo a contar de um a um milhão enquanto vocês se escondem, e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro de vocês que eu encontrar ocupara meu lugar para continuar o jogo.
O Entusiasmo dançou seguido pela Euforia. A Alegria deu tantos saltos que acabou por convencer a Duvida e até mesmo a Apatia, que nunca se interessava por nada.
Mas nem todos quiseram participar: A Verdade preferiu não se esconder. “Para que se no final todos me encontram”.- Pensou.
A Soberba opinou que era um jogo muito tonto (no fundo o que a incomodava era que a ideia não tivesse sido dela)e a Covardia preferiu não arriscar – se.
-Um, dois, três,quatro,...-Começou a contar a Loucura.
A primeira a esconder – se foi a Pressa, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho.
A Fé subiu ao céu e a Inveja se escondeu atrás da sombra do Triunfo, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da arvore mais alta.
A Generosidade quase não consegue esconder - se, pois cada lugar que encontrava, lhe parecia maravilhoso para alguns de seus amigos: Se era um lago cristalino, ideal para a Beleza. Se era a copa de uma arvore, perfeito para a Timidez. Se era o voo de uma borboleta, o melhor para a Volúpia. Se era uma rajada de vento, magnífico para a Liberdade. E assim, acabou se escondendo em um raio de sol.
O Egoísmo, ao contrario, encontrou um local muito bom desde o inicio, ventilado, cômodo, mas apenas para ele.
A Mentira escondeu – se no fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu – se atrás do arco – íris) e a Paixão e o Desejo, no centro dos vulcões.
O Esquecimento, não recordo – me onde escondeu – se, mas isso não é o mais importante. Quando a Loucura estava lá pelo 999.999 o Amor ainda não havia encontrado um lugar para esconder – se, pois todos já estavam ocupados, até que encontrou uma rosa e, carinhosamente,decidiu esconder-se entre suas flores.
-Um milhão! – terminou de contara Loucura e começou a busca.
A primeira a aparecer foi a Pressa, apenas a três passos de uma pedra.
Depois escutou – se a Fé discutindo com Deus, no céu, sobre zoologia.
Sentiu vibrar a Paixão e o Desejo nos vulcões.
Em um descuido, encontrou a Inveja e claro, pode deduzir onde estava o Triunfo. O Egoísmo, não teve nem que procura – lo, ele saiu sozinho disparado de seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas.
De tanto caminhar, sentiu sede e ao aproximar - se de um lago, descobriu a Beleza.
A Dúvida foi mais fácil ainda, pois a encontrou sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado esconder - se.
E assim foi encontrando a todos: o Talento entre a erva fresca, a Angustia em uma cova escura, a Mentira atrás do arco - íris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o Esquecimento, que já havia esquecido que estava brincando de esconde - esconde.
Apenas o Amor não aparecia em nenhum local. A Loucura procurou atrás de cada arvore, em baixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas.
Quando estava a ponto de dar - se por vencida, encontrou um roseiral.
Pegou uma forquilha e começou a mover os ramos, quando, no mesmo instante, escutou - se um doloroso grito.
Os espinhos tinham ferido o Amor nos olhos. A Loucura não sabia o que fazer para desculpar - se, chorou, rezou, implorou, pediu e até prometeu ser seu guia.
Desde então, desde que pela primeira vez se brincou de esconde - esconde na terra.

O Amor é cego e a Loucura sempre o acompanha

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